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Afinal, time grande cai?

O Campeonato Brasileiro 2019 encaminha para o final, estando no fechamento da 35° rodada, faltando apenas três jogos. Enquanto algumas torcidas comemoram, outras acompanham agoniadas. A queda para segunda divisão é um fantasma para todos os torcedores, principalmente aquelas que jamais tiveram essa experiência, mas esse seleto grupo só tem diminuído, intensificando o debate: time grande cai? Atualmente somente quatro clubes podem negar: Cruzeiro, Flamengo, Santos e São Paulo. Para os torcedores destas equipes, a ideia de associar grandeza a nunca ter sido rebaixado é irrefutável. Porém, ao negarmos o clubismo e analisarmos imparcialmente, concluiremos que time grande cai, e se não caiu, uma hora vai.

O Internacional, em 2016, foi o último clube a largar essa expressão. O colorado poucas vezes lutou contra o rebaixamento, pelo contrário, quase sempre foi presente na disputa pelo título, mas em um ano mal planejado, se viu pela primeira vez em um capítulo que alteraria todo o roteiro da sua história. Hoje, o torcedor do Internacional jamais repetiria esse discurso, pois, entendeu que as glórias nos 110 anos de instituição pesam mais que um ano de falhas administravas. Já em 2018, no retorno a serie A, conseguiram o terceiro lugar, classificando para a Libertadores, provando que aquela fase foi passageira. Há clubes que evoluíram com a queda, outros não se encontraram e repetiram o feito mais vezes. O Corinthians é o principal exemplo, após o rebaixamento em 2007, tiveram a década com maior número de conquistas, conseguindo vencer a 3 Campeonatos Brasileiros, uma Copa do Brasil (2009), 1 Libertadores (2012), 1 Recopa Sul-Americana (2013) e 1 Copa de Mundo de Clubes da FIFA (2012). Já por outro lado, o Vasco da Gama teve a experiência em 2008, retornou mais bem estruturado, chegou a ser campeão da Copa do Brasil de 2011, mas em 2013 e 2015 repetiu o acontecido, desde então tem lutado anualmente contra o declínio, conseguindo ter pouca evolução pós o ocorrido. De qualquer forma, existem casos e casos, mas a queda sempre é resultado de uma má administração, principalmente quando se trata dos clubes considerados “grandes” e pertencentes ao sudeste, onde recebem um maior investimento.

Agora em uma reflexão breve podemos responder: clube grande cai? Os três citados integravam o clube dos 13, destinado as equipes consideradas de maior influência no futebol nacional, são presentes em qualquer lista sobre as 10 maiores torcidas do Brasil, sendo equipes diversas vezes campeãs de torneios nacionais e internacionais. É inviável usarmos deméritos para ressignificar a importância de um time em um cenário, pois devemos nos apegar aos méritos e as marcas deixadas em cada geração. Afinal, quem esquecerá o Internacional de Fernandão, o Corinthians de Marcelinho Carioca ou o Vasco de Romário? Não sendo restrito somente aos 3 clubes, mas gigantes consolidados como Atlético-MG, Athletico Paranaense, Bahia, Grêmio, Palmeiras e outros, foram marcantes em uma época de conquista, porém, em algum momento precisaram se ausentar do foco do futebol brasileiro para se reestruturarem.

O Palmeiras, maior campeão do Campeonato Brasileiro (10), sucumbiu duas vezes (2002 e 2013), durante o período a equipe foi inativa em conquistas, vencendo unicamente uma copa do Brasil, coincidentemente no ano da segunda queda. Entretanto, depois do segundo rebaixamento passou por um processo de mudança de dirigentes, conseguindo retornar a série A e aos poucos se restabelecer na elite nacional. Após uma mudança de postura na direção, consequentemente tiveram resultados positivos, conquistando dois Campeonatos Brasileiros (2016 e 2018) e uma Copa do Brasil (2015). Durante as mesmas temporadas, o “incaível” São Paulo não conseguiu nenhum título, e sequer chegou próximo, devido a administrações pífias. Desta forma, o tricolor tem sido figurante nas grandes competições.É necessário ressaltar que um ano na série B não é o sonho de nenhuma torcida, nenhum jogador ou instituição, mas por vezes é preciso.

Se foi a época onde necessitávamos recorrer aos gigantes europeus para contrariar a falácia que time grande não cai, hoje em dia, com 4 restantes, sabemos que trata-se de questão de tempo, curto ou longo, para acabar de vez, e começar uma nova era de: “time grande cai, mas só uma vez”.

Sendo assim, podemos reiterar o principal propósito de uma organização competitiva: vencer. Não ter um ano competitivo ou passar uma temporada em divisão inferior no final dá o mesmo resultado. Há necessidade de pararmos de assimilar as quedas com a importância da instituição; porque os verdadeiros culpados são os administradores, contratando mal, não pagando salários e recusando a ouvir o torcedor. Isto é, o clube não se apequenou, apenas teve um capítulo marcado por uma má gestão, um detalhe em meio a uma história imensa.

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1 comentário

  1. Gustavo de Oliveira Souza says:

    Concordo, time grande cai!

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