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O distanciamento entre o povo e a seleção

POR: Gustavo de Oliveira Souza

Na próxima sexta-feira, 13/11, ocorrerá a partida entre Brasil e Argentina. O amistoso marca o reencontro das duas seleções após a semifinal da Copa América, sediada no Brasil.


As expectativas para o confronto não são das maiores, já que, apesar de ser um clássico, o jogo tem o clima de não ser nada além de um mero amistoso. Com a função de nos proporcionar observar alguns atletas em sua primeira aparição na seleção principal.


Até alguns anos atrás, a comoção pela seleção brasileira era muito maior se comparada com a atual. Até mesmo nos amistosos, em que os torcedores não esperavam a hora de acontecer, principalmente em clássicos internacionais. Mas hoje, se em campeonatos como a Copa América não se vê alta adesão por parte do torcedor, nos amistosos isso aumenta em larga escala, chegando ao nível de muitos brasileiros que acompanham futebol nem ao menos saberem quando acontecem as partidas amistosas.


Essa relação de distanciamento ocorreu – e ainda ocorre – gradativamente. Podemos observar através das Copas do Mundo. Se em 2002 a comoção foi enorme, tendo pessoas que acompanharam partidas até de madrugada; em 2006 foi uma baita decepção, porém, ainda assim os brasileiros torceram muito para a seleção. Talvez por isso ocorreu a frustração, já que quanto maior a expectativa, maior a decepção.


A Copa de 2010 também teve forte engajamento, porém não com a mesma força de anos anteriores. E com mais uma decepção, a Copa seguinte tinha de tudo para distanciar ainda mais o futebol da seleção e o povo. Entretanto, quando foi anunciado a escolha do Brasil como sede, era inevitável a alta expectativa e participação do público, já que após 64 anos o Brasil voltaria a ser o palco do Mundial. Mais uma decepção, e das grandes. O 7×1 nunca será esquecido.


Prorrogou-se em quatro anos, o que poderia acontecer em 2014 ocorreu em 2018, a conexão cada vez mais distante entre seleção e povo brasileiro foi evidente. E graças a uma Copa pouco impactante para o público médio – que não é obcecado por futebol, além do próprio time- , ficou mais escancarada a sintonia, em vertigem, do brasileiro com a Copa e com a seleção.


Muitos fatores contribuíram para esse processo. Um deles é o fato de jogadores que atuam no Brasil serem minoria nas convocações, perdendo assim um forte vínculo proporcionado pela ligação entre os times de coração do torcedor e a própria seleção. É totalmente possível compreender este fato, já que no atual cenário, o futebol praticado no nosso país é de nível técnico inferior, se comparado com as grandes ligas européias.


Outro fator acerca do distanciamento do público com o Brasil é o rendimento abaixo do esperado jogado pela seleção. Isso também tem a ver com a qualidade técnica, porque se comparado com o estilo de jogo mundial, o estilo da seleção brasileira é um dos que menos evoluiu, provavelmente até regrediu. Se o mundo tendeu a jogar cada vez mais ofensivo e coletivo nos últimos anos, a seleção, que tinha em sua origem este tipo de esquema, perdeu a chamada “brasilidade”.


Dunga, Mano Menezes, Felipão, Tite, esses nomes não estão ligados a futebol ofensivo, muito menos ousado. Os técnicos citados tem de fato fortes nomes e também grandes conquistas, principalmente Felipão e Tite, porém não conseguiram retirar dos jogadores brasileiros, que individualmente estão entre os melhores do mundo, seus maiores potenciais.


Portanto, a relação desgastada do povo com sua seleção deve se manter, infelizmente. E o pior é que a CBF não faz nada para diminuir essa situação. Levando quase todos o jogos para fora do país. Além de não realizarem estratégias, nem implementarem ações que visem colocar em evidência um estilo de jogo com a “cara” da seleção, ao invés disso, colocam cada hora um técnico diferente, sem um padrão. Dessa forma, desde os jogadores, passando pelas comissões técnicas e chegando até os cartolas e dirigentes da CBF, o futebol da seleção brasileira se distancia dos torcedores e necessita de grandes mudanças, algumas delas passando, quiçá, por profissionais estrangeiros.

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